O Google não comprou uma empresa de publicidade. Comprou infraestrutura de inteligência.
A aquisição da DoubleClick não é sobre consolidar market share em anúncios. É sobre controlar a camada que conecta intenção do usuário com todo o inventário da internet.
18 de abril de 2007
O Google não comprou uma empresa de publicidade. Comprou infraestrutura de inteligência.
A aquisição da DoubleClick não é sobre consolidar market share em anúncios. É sobre controlar a camada que conecta intenção do usuário com todo o inventário da internet.
O Google anunciou a aquisição da DoubleClick por $3.1 bilhões — o maior valor que já pagou por uma empresa. A cobertura está focada na consolidação do mercado de publicidade digital e nas implicações para concorrentes como Yahoo e Microsoft. Mas há uma leitura mais importante: o Google não está comprando uma empresa de anúncios. Está comprando uma camada de infraestrutura que ainda não controlava.
O Google já domina o inventário de publicidade nas buscas — onde a intenção do usuário é declarada explicitamente. A DoubleClick domina a distribuição de publicidade display na web aberta — onde a intenção é inferida por comportamento e contexto. Com as duas camadas, o Google vai ter visibilidade sobre o ciclo completo: o que as pessoas buscam, o que clicam, onde navegam, o que compram. Nenhum outro player terá essa cobertura. E em publicidade digital, quem tem os melhores dados tem a melhor capacidade de precificar e entregar resultado.
O que está sendo construído não é uma empresa maior. É uma posição estrutural que vai ser cada vez mais difícil de contestar. Infraestrutura de dados não tem ciclo de obsolescência natural — ela se torna mais valiosa com cada transação que passa por ela. O Google de 2007 já é dominante. O Google com a DoubleClick vai ser algo diferente: uma empresa que sabe mais sobre o que acontece na internet do que qualquer outra entidade, incluindo os governos. Isso não é publicidade. É inteligência em escala.
Leo Bentier