technology

O aparelho é irrelevante. O que importa é quem decide o que roda nele — e cobra para deixar passar.

O iPhone foi lançado ontem. Todo mundo está olhando para a tela. A estrutura que está sendo construída atrás dela vai mudar quem controla o que pode existir como produto digital.

30 de junho de 2007

O aparelho é irrelevante. O que importa é quem decide o que roda nele — e cobra para deixar passar.

O iPhone foi lançado ontem. Todo mundo está olhando para a tela. A estrutura que está sendo construída atrás dela vai mudar quem controla o que pode existir como produto digital.

O iPhone foi lançado ontem. As filas foram longas, a cobertura foi intensa, e o produto é genuinamente impressionante — uma interface touch que funciona, um browser real no bolso, hardware que parece de outra geração. A maioria das análises vai falar sobre o que o iPhone faz. Eu quero falar sobre o que o iPhone revela sobre o que a Apple vai fazer a seguir. Porque o que está acontecendo não é o lançamento de um telefone melhor. É a fundação de uma plataforma de distribuição que a Apple vai controlar de forma mais completa do que qualquer empresa controlou qualquer plataforma antes.

O iPhone roda um sistema operacional da Apple, em hardware da Apple, distribuído com contrato exclusivo pela AT&T. A Apple disse que o iPhone não vai ter aplicativos de terceiros — que a forma de criar experiências para o iPhone é desenvolver web apps. Isso vai mudar. Não porque a Apple vai ceder à pressão dos desenvolvedores por acesso ao sistema operacional nativo, mas porque a Apple vai perceber que uma loja centralizada de aplicativos, onde ela aprova o que entra e cobra uma fração de cada transação, é um negócio mais interessante do que o iPhone em si. O aparelho vende uma vez. A plataforma cobra para sempre.

O que está sendo construído é um pedágio. Qualquer empresa que quiser distribuir software para usuários de iPhone vai precisar passar pela Apple — e pagar pelo direito. Qualquer empresa que vender produtos digitais dentro de aplicativos iPhone vai dividir receita com a Apple. A Apple vai ter poder de veto sobre o que pode existir como produto digital nessa plataforma. Isso não é especulação sobre o futuro distante. É a consequência lógica do modelo que o iPhone estabelece hoje: um sistema operacional proprietário, em hardware controlado, distribuído por canal exclusivo. A questão não é se a Apple vai usar esse poder. É quando.

Leo Bentier

|Converse com o conteúdo...

Ao se inscrever você concorda com nossos Termos de serviço & Política de privacidade

O aparelho é irrelevante. O que importa é quem decide o que roda nele — e cobra para deixar passar. | Leo Bentier