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O iPhone não é um telefone. É uma declaração de onde o poder vai estar.

A Apple anunciou hardware impressionante. A pergunta que ninguém está fazendo é: quem decide o que roda nele?

12 de janeiro de 2007

O iPhone não é um telefone. É uma declaração de onde o poder vai estar.

A Apple anunciou hardware impressionante. A pergunta que ninguém está fazendo é: quem decide o que roda nele?

A Apple anunciou esta semana um aparelho que combina iPod, telefone e internet em um único dispositivo touchscreen. A cobertura está focada no design, na interface, na ausência de teclado físico. Todos estão falando sobre o produto. Quase ninguém está fazendo a pergunta que importa: quem decide o que roda nele? O iPhone roda um sistema operacional da Apple, em hardware da Apple, distribuído com contrato exclusivo pela AT&T. Isso não é detalhe técnico. É arquitetura de poder.

O modelo atual de telefones celulares tem operadoras no centro de tudo — elas controlam quais aplicativos chegam ao usuário, aprovam o hardware, determinam o que pode ser instalado. A Apple virou essa dinâmica: o sistema operacional é dela, o hardware é dela, e qualquer distribuição de software vai passar por onde ela decidir que passa. A operadora virou canal de conectividade. Quem controla o sistema operacional controla o acesso ao usuário. E quem controla o acesso ao usuário cobra pelo direito de passar.

A Apple ainda não anunciou como vai lidar com aplicativos de terceiros. Disse que a forma de criar experiências para o iPhone é desenvolver web apps. Isso vai mudar — não porque a Apple vai ceder, mas porque uma loja centralizada de aplicativos onde a Apple aprova o que entra e cobra uma fração de cada transação é um negócio mais interessante do que o iPhone em si. O aparelho vende uma vez. A plataforma cobra para sempre. O que foi apresentado esta semana é o hardware. O negócio real ainda está por ser revelado.

Leo Bentier

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