Talvez o melhor negócio seja não fabricar nada.
Quem consegue colocar as partes certas na mesma mesa pode participar do valor sem precisar possuir o produto.
6 de dezembro de 2010
Talvez o melhor negócio seja não fabricar nada.
Quem consegue colocar as partes certas na mesma mesa pode participar do valor sem precisar possuir o produto.
Há dois anos tenho escrito sobre venda. No ano passado comecei a pensar sobre dinheiro como produto e sobre a possibilidade de participar da circulação de capital sem necessariamente ser o proprietário do capital. Agora percebo que talvez estivesse olhando para essas duas coisas separadamente quando, na verdade, existe alguma coisa entre elas.
Intermediação.
A palavra não é bonita. Talvez seja exatamente por isso que ela seja economicamente interessante.
Temos certa tendência a respeitar quem produz e desconfiar de quem fica no meio. A fábrica é concreta. O intermediário parece um sujeito que aparece quando o trabalho já foi feito, apresenta uma parte à outra e leva uma porcentagem embora. É fácil olhar para ele como alguém que extrai valor sem produzir nada.
Talvez às vezes seja exatamente isso.
Mas estou começando a suspeitar que essa descrição é preguiçosa.
Há intermediários que existem porque o mercado ainda não encontrou maneira de eliminá-los. Esses provavelmente estão condenados. Cobram apenas porque controlam uma informação que cedo ou tarde será conhecida por todos, ou porque algum regulamento colocou artificialmente uma cancela no caminho.
Mas existem outros cuja presença faz a própria transação acontecer.
Sem eles, as duas partes talvez nunca se encontrem. Ou se encontrem tarde demais. Ou não tenham confiança para negociar. Ou não saibam avaliar uma à outra. Ou gastem tanto tempo procurando que a operação deixe de valer a pena.
Nesse caso, o intermediário não está simplesmente tirando uma fatia de algo que já existia.
Ele participa da criação daquilo que será dividido.
Essa diferença me parece pequena apenas até começar a procurar exemplos.
Uma notícia dos últimos dias me fez voltar a essa questão. O Google aparentemente tentou comprar uma empresa chamada Groupon por algo entre cinco e seis bilhões de dólares.
A empresa recusou.
Isso por si só já seria curioso. O valor é absurdo para uma companhia criada tão recentemente. O que me interessa mais, porém, é tentar entender o que exatamente o Google estava disposto a comprar por alguns bilhões de dólares.
O Groupon não fabrica os restaurantes cujos descontos vende.
Não cozinha a comida.
Não possui os salões de beleza.
Não realiza os tratamentos.
Não constrói os hotéis.
Não fabrica os produtos anunciados.
Nem sequer parece depender de uma invenção técnica impossível de copiar.
O que possui é outra coisa.
Pessoas de um lado.
Comerciantes do outro.
E uma maneira de colocá-los em movimento ao mesmo tempo.
Isso pode parecer menos nobre do que fabricar automóveis ou construir prédios. Mas cinco ou seis bilhões de dólares têm a desagradável capacidade de tornar discussões sobre nobreza um pouco menos interessantes.
O mercado não parece pagar prêmio por esforço físico, peso do estoque ou quantidade de máquinas.
Às vezes paga justamente pela eliminação dessas coisas.
Talvez o que esteja sendo valorizado no Groupon seja distribuição. Talvez seja audiência. Talvez seja relacionamento com comerciantes. Talvez seja a capacidade de provocar demanda rapidamente. Provavelmente é uma mistura de tudo isso.
Não conheço a empresa o suficiente para afirmar mais.
Também não sei se vale seis bilhões. Seria ridículo concluir que toda avaliação oferecida é uma descrição precisa de valor. Empresas compram outras por razões estratégicas, cometem erros, competem por ativos e às vezes usam dinheiro de acionistas com uma serenidade que talvez não teriam usando o próprio patrimônio.
Mas a oferta é real o suficiente para tornar a pergunta interessante.
Como uma empresa que não fabrica praticamente nenhum dos produtos negociados através dela consegue tornar-se tão valiosa?
Talvez porque produzir não seja a única maneira de criar valor.
Talvez nem seja sempre a melhor.
Quando comecei a trabalhar com imóveis, minha visão era naturalmente concentrada no produto. Terreno, projeto, localização, construção, acabamento, preço. Um edifício é uma coisa concreta. Há algo satisfatório em olhar para ele e saber que existe. Talvez por isso negócios físicos transmitam tanta respeitabilidade.
É possível fotografar a fábrica.
É possível tocar o prédio.
É possível contar o estoque.
Relacionamentos não aparecem tão bem numa fotografia.
Distribuição também não.
Confiança menos ainda.
Mas alguns dos ativos mais valiosos parecem ter exatamente essa característica: não podem ser vistos facilmente, embora possam desaparecer de uma hora para outra e levar boa parte do negócio junto.
Um corretor de imóveis me parece um bom exemplo.
Ele pode não possuir um metro quadrado daquilo que vende.
Mesmo assim, pode ganhar mais com determinada transação do que alguém que trabalhou meses dentro da obra.
A primeira reação é considerar isso injusto.
A segunda, mais útil, é perguntar por quê.
O trabalhador foi remunerado pelo trabalho acordado.
O corretor foi remunerado porque a venda aconteceu.
São riscos diferentes.
Um recebe por atividade.
O outro recebe por resultado.
Se o imóvel não vender, parte do trabalho de construção já foi feita de qualquer maneira. O salário foi pago, o material foi usado, a energia foi consumida, o terreno continua imobilizado.
O corretor pode trabalhar durante semanas e não receber nada.
Isso não significa que toda comissão seja justa. Significa apenas que comparar valores recebidos sem comparar aquilo que cada pessoa arriscou ou tornou possível produz uma análise moralmente confortável e economicamente inútil.
Talvez o vendedor pareça caro exatamente porque sua remuneração fica visível no momento em que o dinheiro aparece.
Ninguém olha com a mesma atenção para todos os custos que foram absorvidos antes.
Há algo semelhante no mercado financeiro.
No ano passado comecei a pensar sobre vender dinheiro e sobre como alguém poderia participar dessa atividade sem possuir uma fortuna. A resposta mais óbvia começa a aparecer.
Você pode estar entre quem possui o capital e quem precisa dele.
Isso parece simples a ponto de ser ofensivo.
Mas a maior parte dos bons mecanismos parece simples depois que foi compreendida. A dificuldade está em construir a posição, não em descrevê-la.
Se uma empresa precisa de dez milhões e um investidor possui dez milhões disponíveis, alguém poderia dizer que o intermediário é desnecessário. Basta colocá-los na mesma sala.
Mas essa frase esconde todas as coisas difíceis.
Como a empresa encontra o investidor?
Como o investidor encontra a empresa?
Como sabe que os números são verdadeiros?
Como a empresa sabe que o capital realmente existe?
Qual é o preço?
Qual é o prazo?
Que garantias fazem sentido?
Quem conhece alternativas?
Quem sabe se a operação está sendo estruturada corretamente?
Quem consegue dizer que determinado financiador nunca aceitará aquele risco e poupar dois meses de conversa inútil?
Quem sabe que outra instituição possui apetite exatamente para aquilo?
Quando se retira tudo isso, sobra a fantasia de duas pessoas se encontrando espontaneamente e chegando à melhor solução possível porque os mercados são eficientes e todos possuem informação suficiente.
É uma ótima teoria, especialmente para quem nunca precisou fechar uma operação.
Na vida real, informação está espalhada.
Confiança está espalhada.
Capital está espalhado.
Necessidade também.
E talvez uma parte enorme da economia exista simplesmente porque alguém consegue organizar coisas que estão espalhadas.
O intermediário bom reduz distância.
O ruim apenas ocupa espaço.
Quero aprender a distinguir os dois.
Há uma tendência curiosa de chamar todo intermediário de parasita quando sua margem parece alta. Talvez seja ressentimento. Talvez seja ignorância sobre o trabalho. Talvez em muitos casos seja uma crítica correta.
Mas existe uma pergunta que resolve boa parte da discussão:
a operação teria acontecido da mesma maneira, no mesmo prazo e com o mesmo resultado se ele não estivesse ali?
Se a resposta for sim, provavelmente o intermediário é frágil. Está vivendo de uma imperfeição temporária.
Se a resposta for não, ele possui uma função.
Talvez seja até uma função difícil de substituir.
Isso me leva novamente ao Groupon.
O restaurante pode distribuir seu próprio cupom.
Não precisa da empresa.
Pode imprimir milhares de papéis, contratar alguém para entregá-los ou anunciar em jornal.
Em teoria, o intermediário é dispensável.
Mas há uma diferença entre poder fazer alguma coisa e conseguir fazê-la com a mesma eficiência.
O Groupon reúne milhões de pessoas que já estão predispostas a olhar para ofertas.
O comerciante compra acesso a essa atenção.
O usuário recebe ofertas.
O Groupon fica no meio.
O produto real talvez nem seja o desconto.
Talvez seja a concentração.
Concentração de compradores de um lado e concentração de estabelecimentos interessados em compradores do outro.
Quanto maior um lado, mais atraente fica para o outro.
Isso cria uma dinâmica interessante.
Um restaurante isolado não consegue reunir milhões de consumidores.
Um consumidor isolado não consegue negociar desconto coletivo com centenas de empresas.
A plataforma organiza os dois.
Não sei se esse modelo durará. Parece relativamente fácil de copiar e já há concorrentes. Talvez o próprio sucesso atraia tanta competição que destrua a vantagem. Essa é uma das ironias dos bons negócios: quando ficam obviamente bons, começam a ficar piores porque todos querem entrar.
O lucro atrai seus próprios predadores.
Mas o mecanismo permanece interessante mesmo que a empresa específica desapareça.
Talvez existam negócios em que possuir o produto seja menos importante do que possuir o encontro.
Essa ideia contraria muito do que normalmente associamos a patrimônio.
Somos ensinados a pensar que o homem forte economicamente é aquele que possui coisas: imóveis, máquinas, terras, estoque.
E certamente há segurança na propriedade.
Mas propriedade possui peso.
O proprietário paga manutenção.
Paga imposto.
Corre risco de desvalorização.
Possui capital imobilizado.
Pode ficar preso ao ativo.
O intermediário, quando sua função é real, participa do movimento sem carregar o mesmo peso.
Pode ganhar sobre uma casa que não comprou.
Sobre uma carga que não transportou.
Sobre dinheiro que não acumulou.
Sobre uma empresa que não fundou.
Isso é uma forma de assimetria que merece atenção.
O upside pode estar ligado ao valor da transação.
O capital necessário para participar pode ser muito menor.
Não significa ausência de risco.
O risco apenas assume outra forma.
Reputação.
Tempo.
Relacionamento.
Custo de aquisição.
Dependência de terceiros.
Regulação.
Possibilidade de ser eliminado da cadeia.
Uma empresa que constrói uma fábrica coloca o risco em ativos físicos.
Um intermediário coloca boa parte do risco em relevância.
Enquanto for útil, ganha.
Quando deixa de ser necessário, pode evaporar rapidamente.
Talvez por isso bons intermediários precisem acumular alguma coisa além de comissão.
Precisam transformar transações em relações.
Uma comissão termina.
Uma relação pode gerar a próxima operação.
Esse ponto começa a me parecer muito importante.
Quem possui apenas uma oportunidade precisa encontrar outra depois que ela termina.
Quem possui uma rede pode descobrir novas oportunidades dentro da própria rede.
Talvez redes sejam uma espécie de estoque que não aparece no balanço.
Um estoque estranho, porque pode aumentar de valor quanto mais é utilizado.
Um comerciante que conhece dez fornecedores e dez compradores possui cem combinações possíveis, ainda que não possua nenhuma mercadoria.
Adicione mais fornecedores, mais compradores, mais informações sobre quem cumpre o que promete, e o valor potencial cresce de maneira pouco intuitiva.
Não estou dizendo que basta colecionar cartões de visita.
Há pessoas que confundem conhecer muita gente com possuir relacionamento.
São coisas diferentes.
Uma agenda cheia de números que não atendem quando você liga vale pouco.
Relação é quando existe algum grau de confiança, reciprocidade ou utilidade reconhecida.
Talvez uma boa rede seja medida não pela quantidade de pessoas que você consegue chamar, mas pela quantidade que responde.
Essa diferença parece particularmente importante em finanças.
Se alguém precisa movimentar muito dinheiro, não procura apenas informação.
Procura confiança.
Uma apresentação correta de uma pessoa confiável pode valer mais que cem contatos frios.
Então reputação e intermediação começam a se alimentar.
Você faz uma boa operação.
As partes ficam satisfeitas.
Uma delas apresenta você a outra.
A próxima operação começa com menos desconfiança.
Se continua entregando, a rede se adensa.
Depois de algum tempo, parte do trabalho de procurar desaparece porque as oportunidades começam a circular por você.
Isso é muito diferente de vender um produto isolado.
Você não está apenas acumulando receita.
Está acumulando posição.
Talvez posição seja uma palavra melhor do que rede.
Rede descreve as conexões.
Posição descreve o lugar que você ocupa dentro delas.
Duas pessoas podem conhecer exatamente os mesmos indivíduos e possuir posições completamente diferentes.
Uma é procurada para decisões importantes.
A outra é lembrada apenas quando alguém precisa preencher a mesa de um jantar.
O número de contatos é igual.
O capital relacional não.
Quero entender como se constrói essa posição sem cair na caricatura do sujeito que vive “fazendo networking”.
Essa expressão me incomoda.
Parece um homem andando por salas distribuindo cartões e calculando silenciosamente a utilidade de cada pessoa.
Talvez funcione para alguns. Para mim soa barato.
Prefiro uma lógica mais simples: ser útil em problemas reais.
Se alguém consegue resolver alguma coisa difícil, pessoas têm motivo para lembrá-lo.
A utilidade cria relações que a sociabilidade forçada tenta imitar.
Talvez seja mais lento.
Mas é provavelmente mais resistente.
Há outro aspecto da intermediação que começa a me chamar atenção: ela produz conhecimento transversal.
Quem trabalha dentro de uma única empresa conhece profundamente aquela empresa.
Quem fica entre várias empresas começa a enxergar padrões.
Um corretor que participa de cem negociações pode perceber algo que o comprador, que fará três aquisições de imóveis durante a vida, jamais verá.
Não porque seja mais inteligente.
Porque possui mais observações.
Experiência não é sabedoria automática. Uma pessoa pode repetir o mesmo erro durante trinta anos e chamar isso de experiência. Mas exposição a muitas operações cria ao menos a possibilidade de comparar.
Quem viu vinte negócios semelhantes consegue notar quando o vigésimo primeiro está estranho.
Isso tem valor.
Talvez parte da comissão do intermediário remunere justamente um histórico que o cliente não consegue comprar de maneira instantânea.
No mercado financeiro isso deve ser ainda mais importante.
Uma empresa procura crédito poucas vezes.
Uma instituição analisa dezenas ou centenas de operações.
Um intermediário que circula entre ambas pode aprender quais estruturas funcionam, quais instituições possuem apetite por determinados riscos, quais histórias se repetem antes de uma inadimplência e quais exigências são apenas burocracia de determinado credor.
Isso transforma informação em julgamento.
E julgamento pode ser uma vantagem muito maior do que informação bruta.
Informação está ficando cada vez mais fácil de encontrar.
Julgamento continua caro.
A internet talvez torne essa diferença ainda maior.
Muita gente acredita que mais informação elimina intermediários. Em alguns casos, certamente elimina.
Agências de viagem parecem um exemplo. Antes era necessário alguém para encontrar passagem, consultar disponibilidade e organizar informações que o cliente comum não possuía. Agora parte desse trabalho pode ser feita diretamente.
O intermediário cuja vantagem era esconder informação sofre.
Mas talvez surja outra forma de intermediação.
Quando informação se torna abundante, o problema deixa de ser encontrá-la e passa a ser filtrá-la.
Mil opções podem ser piores do que cinco boas.
O intermediário muda de função.
De dono da informação para selecionador.
Isso deveria servir de aviso para qualquer pessoa que vive cobrando porque sabe algo secreto.
Segredos ficam baratos quando a tecnologia aprende a distribuí-los.
Julgamento, confiança e responsabilidade talvez envelheçam melhor.
É curioso pensar nisso justamente olhando para empresas como Google e Groupon.
A internet foi apresentada durante anos como uma força capaz de eliminar intermediários.
E agora algumas das empresas mais valiosas da internet parecem ser gigantescas intermediárias.
Google fica entre quem procura e quem quer ser encontrado.
Groupon fica entre comerciante e consumidor.
eBay fica entre comprador e vendedor.
As empresas mudaram.
O meio permaneceu.
Talvez tecnologia não elimine intermediação.
Elimine intermediários ruins e crie outros muito maiores.
É uma distinção importante.
Quando se remove um atravessador local e se coloca uma plataforma mundial no lugar, não houve necessariamente desintermediação.
Houve concentração da intermediação.
Talvez a palavra “plataforma” seja apenas uma maneira mais moderna e respeitável de dizer “intermediário que conseguiu escala”.
Há algo ligeiramente cômico nisso.
Chamamos o corretor pequeno de atravessador.
Chamamos a empresa de bilhões de plataforma.
O mecanismo pode ser parecido.
A diferença está no tamanho da estrada.
Esse é provavelmente um dos motivos pelos quais a distribuição me interessa desde 2008.
O negócio não é apenas participar de uma transação.
É construir um lugar para onde transações começam a vir.
Existe uma enorme diferença entre procurar cada comprador individualmente e possuir um canal onde os compradores aparecem.
A primeira atividade é venda.
A segunda começa a parecer infraestrutura.
Uma pessoa que vende cem unidades realizou cem esforços.
Uma pessoa que constrói um mercado onde centenas de pessoas compram e vendem criou uma máquina.
Talvez essa seja uma forma de pensar negócios de maneira mais ambiciosa.
Não perguntar apenas “como faço uma venda?”.
Perguntar “como construo um lugar no qual vendas acontecem?”.
Ainda estou muito longe de saber fazer isso.
Mas a pergunta muda tudo.
Um vendedor excelente continua limitado pelo próprio tempo.
Uma estrutura de distribuição pode operar quando ele dorme.
Uma rede bem construída consegue ampliar a capacidade de alguém sem exigir que sua presença cresça na mesma proporção.
Isso é alavancagem verdadeira.
Não apenas trabalhar mais rápido.
Separar resultado de presença.
Começo a perceber que riqueza parece depender muito dessa separação.
Enquanto cada real exigir uma nova hora minha, existe um teto.
Posso tornar minha hora mais cara.
Posso trabalhar mais.
Posso ficar melhor.
Mas o dia continua possuindo vinte e quatro horas, uma limitação inconveniente que discursos motivacionais ainda não conseguiram abolir.
É necessário algum mecanismo que desacople produção de renda do relógio individual.
Capital faz isso.
Propriedade faz isso.
Distribuição faz isso.
Sistemas fazem isso.
Talvez intermediação, quando estruturada de maneira correta, também.
Isso aproxima novamente meu pensamento do dinheiro.
No ano passado eu me perguntava como alguém poderia vender dinheiro sem possuir o dinheiro.
Agora a resposta parece um pouco menos nebulosa.
Talvez começando por controlar o caminho.
Não “controlar” no sentido de impedir os outros de passar. Isso seria uma vantagem frágil e talvez ilegal em muitos casos.
Controlar no sentido de ser a pessoa que conhece o mapa.
Quem tem capital.
Quem precisa.
Quem aceita qual risco.
Quem quer qual prazo.
Quem possui qual garantia.
Quem não deve ser colocado na mesma mesa porque jamais chegarão a acordo.
Quem parece incompatível mas pode negociar se a estrutura mudar.
Isso não exige necessariamente ser banco.
Exige estar suficientemente perto dos dois lados.
Talvez aí exista uma profissão.
Ou um negócio.
Ainda não sei.
Não quero dar nome cedo demais.
Há uma mania perigosa de nomear uma ambição antes de compreendê-la. Depois a pessoa passa a defender o nome em vez de continuar investigando o problema.
Prefiro continuar com perguntas.
Uma delas é esta: se o intermediário não possui o produto, o que exatamente ele possui?
No caso mais fraco, apenas informação.
No caso melhor, relação.
Num caso ainda melhor, confiança.
Talvez no melhor de todos, processo.
Se alguém depende apenas de conhecer uma pessoa que outra não conhece, está vulnerável. Depois da apresentação, pode ser descartado.
Se consegue organizar a negociação, estruturar as condições, reduzir o risco e tornar repetível aquilo que antes era improvisado, já possui alguma coisa mais difícil de remover.
Talvez esse seja o caminho entre corretagem e infraestrutura.
O corretor faz a ponte.
A infraestrutura torna a ponte permanente.
Não sei por que essa ideia me parece importante, mas parece.
Provavelmente porque resolve uma fragilidade óbvia da intermediação.
Se sua renda depende de estar pessoalmente em cada transação, você apenas trocou um emprego por comissões.
Pode ganhar mais, mas ainda é o gargalo.
Se, ao contrário, aprende a transformar conhecimento em método, método em processo e processo numa estrutura que outras pessoas conseguem usar, alguma coisa muda.
A renda começa a poder crescer mais rápido que sua presença.
Talvez eu esteja tentando sofisticar demais uma ideia simples.
Pode ser.
Mas prefiro esse erro ao contrário: reduzir tudo a “trabalhe mais” e descobrir aos cinquenta anos que trabalhei quatro vezes mais para ganhar três vezes mais.
Esforço sem multiplicador é uma prisão bem vista socialmente.
As pessoas admiram o homem exausto.
Raramente perguntam se o cansaço foi necessário.
Talvez uma das maiores vantagens de aprender sobre negócios cedo seja perder respeito pela dificuldade em si.
Difícil não significa valioso.
Às vezes difícil significa apenas mal desenhado.
Há empresas que parecem orgulhar-se da própria complexidade. Muitos funcionários, muitas etapas, muitos controles, muito trabalho. Como se sofrimento operacional fosse prova de importância.
Talvez seja o contrário.
A estrutura realmente boa elimina trabalho que não deveria existir.
Um intermediário bom também deveria fazer isso.
Se sua presença adiciona dez reuniões, vinte documentos e três semanas a uma operação, talvez esteja destruindo valor e chamando de serviço.
Se reduz dez reuniões para duas, organiza os documentos e aproxima as partes corretas, sua comissão pode ser barata mesmo que pareça grande.
Preço deve ser comparado ao problema evitado, não à quantidade de horas gastas.
Isso é especialmente importante para serviços.
Há uma tentação de cobrar proporcionalmente ao esforço porque esforço é fácil de medir.
Mas o cliente não deveria querer seu esforço.
Deveria querer o resultado.
Se consigo resolver em uma hora algo que outra pessoa levaria cem horas para resolver, seria absurdo cobrar menos porque fui melhor.
O mercado frequentemente penaliza quem vende tempo exatamente por isso.
Quanto mais eficiente fica, menos horas pode faturar.
É uma estrutura de incentivos quase cômica.
Talvez os melhores negócios sejam aqueles em que ser melhor aumenta a remuneração em vez de reduzi-la.
Comissão por transação pode fazer isso.
Equity pode fazer isso.
Participação sobre valor criado pode fazer isso.
Mais uma vez volto para a posição.
A forma de remuneração altera comportamento.
Quem recebe por hora ganha quando o problema demora.
Quem recebe para fechar ganha quando o problema termina.
Quem recebe percentual pode preferir transações maiores.
Quem coloca dinheiro próprio se importa mais com downside.
Não é necessário acusar ninguém de desonestidade para prever comportamento.
Basta olhar para aquilo que recompensa cada escolha.
Talvez eu esteja começando a perceber que grande parte da vida econômica é explicada melhor por incentivos do que por intenções.
As pessoas gostam de falar de intenção porque intenção é bonita e impossível de auditar.
Incentivo deixa rastros.
Um gerente pode dizer que cuida do cliente.
Se sua remuneração depende de vender determinado produto, não é prudente ignorar essa informação.
Um corretor pode dizer que aquele imóvel é a melhor oportunidade.
Se recebe apenas naquele imóvel, convém entender a estrutura.
Um banco pode recomendar uma operação.
Convém saber de que maneira é remunerado.
Nada disso prova má-fé.
Apenas impede ingenuidade.
Quero aprender a olhar sempre para quem possui exposição ao resultado.
Quem ganha se der certo?
Quem perde se der errado?
Essas duas perguntas provavelmente valem mais que muitas apresentações.
Também quero aplicá-las a mim mesmo.
Se algum dia eu estiver intermediando uma operação, qual incentivo quero criar?
Ser pago apenas para apresentar pode ser confortável, mas talvez incentive quantidade.
Ser pago quando fecha aproxima minha remuneração do resultado, mas pode criar vontade de fechar operação ruim.
Se parte da reputação depende do que acontece depois, talvez haja um freio melhor.
Parece que não existe estrutura perfeita.
Só estruturas em que os defeitos estão mais visíveis.
Talvez maturidade financeira seja abandonar a busca por ausência de conflito e aprender a desenhar conflitos suportáveis.
Há sempre alguém querendo preço maior e alguém querendo pagar menos.
Alguém querendo prazo longo e alguém querendo receber cedo.
Alguém querendo risco e alguém querendo proteção.
O mercado não elimina esses conflitos.
Organiza uma maneira de negociá-los.
O intermediário está exatamente no centro dessas forças.
Talvez por isso possa ser tão bem remunerado quando é bom.
E tão odiado quando é ruim.
Ele cobra por resolver tensão.
Se apenas aumenta a tensão, torna-se descartável.
Volto ao Groupon porque o episódio é útil também como advertência.
Recusar cinco ou seis bilhões de dólares é uma decisão extraordinária. Talvez seja brilhante. Talvez seja uma estupidez histórica. Hoje ninguém sabe.
Essa incerteza me interessa mais do que a manchete.
Quando alguém oferece bilhões por uma empresa jovem, todos começam a tratar a avaliação como realidade.
Não é.
É uma proposta.
Uma avaliação só se torna dinheiro de verdade para quem consegue realizar alguma parte dela.
Existe diferença entre “minha empresa vale seis bilhões” e “alguém me transferiu seis bilhões”.
Papel aceita qualquer riqueza.
Liquidez é menos educada.
Talvez esse seja um princípio para guardar: não confundir preço indicado com riqueza realizada.
Um empresário pode possuir uma participação teoricamente valiosa e ainda não conseguir pagar uma conta sem vender alguma coisa.
Um imóvel pode ser avaliado em milhões e levar anos para encontrar comprador.
Uma empresa pode parecer extraordinariamente rica no papel e precisar de caixa amanhã.
Valor e liquidez são parentes, não gêmeos.
Isso vai provavelmente importar cada vez mais se eu continuar interessado em finanças.
Dinheiro possui uma característica que outros ativos não possuem na mesma intensidade: ele encerra discussões.
Um imóvel “vale” aquilo que alguém acredita até o momento em que é necessário vendê-lo.
Uma empresa “vale” determinada múltipla até precisar captar em condições ruins.
Uma carteira “vale” determinado preço até todos tentarem sair juntos.
Dinheiro já é a saída.
Talvez por isso quem controla liquidez possua poder desproporcional em momentos de dificuldade.
Quando tudo está bem, patrimônio parece poder.
Quando todos precisam vender ao mesmo tempo, caixa vira poder.
Esse tipo de assimetria me interessa.
Não pelo prazer de ver outros em dificuldade. Isso seria idiotice moral e também econômica.
Interessa porque revela que o valor de uma posição muda conforme o ambiente.
O que parece improdutivo em tempos normais pode se tornar precioso quando o cenário muda.
O sujeito que mantém liquidez parece conservador durante a euforia.
Depois compra ativos de quem descobriu tarde demais que patrimônio ilíquido não paga obrigação imediata.
O intermediário com relações fortes parece desnecessário quando capital está sobrando.
Depois se torna valioso quando ninguém sabe para quem ligar.
Muitas vantagens só aparecem quando as condições pioram.
Talvez isso seja uma boa definição de robustez: possuir alguma coisa cujo valor relativo aumenta quando o ambiente deixa de cooperar.
Ainda não sei como construir uma carreira dessa maneira.
Mas sei que não quero depender exclusivamente de condições favoráveis.
Se alguém ganha apenas quando tudo está perfeito, provavelmente não construiu um negócio. Construiu uma aposta disfarçada.
Da mesma forma, se uma profissão depende de possuir uma informação que a tecnologia está tornando pública, é prudente procurar a próxima camada de valor antes que o mercado faça isso por você.
Talvez essa seja a lição maior da intermediação.
Nunca se apaixonar pela posição atual.
O intermediário deveria estar sempre perguntando por que ainda é necessário.
É uma pergunta desconfortável.
Por isso é boa.
Se a resposta for “porque o cliente não sabe fazer sozinho”, talvez amanhã ele saiba.
Se for “porque tenho acesso exclusivo”, talvez amanhã esse acesso seja aberto.
Se for “porque a lei exige”, talvez a lei mude.
Se for “porque reduzo risco, economizo tempo, possuo julgamento e consigo fazer as partes confiarem umas nas outras”, há alguma defesa maior.
Ainda assim, nada é permanente.
A pessoa que acha que encontrou um pedágio eterno eventualmente conhece alguém disposto a construir uma estrada ao lado.
Não existe direito adquirido ao lucro.
Há apenas utilidade renovada.
Essa ideia me agrada porque reduz a arrogância.
O mercado não deve nada a quem foi útil ontem.
Precisa ser convencido novamente.
Talvez seja por isso que venda continua aparecendo por trás de tudo que estou tentando entender.
Mesmo o intermediário precisa vender sua relevância.
Mesmo uma plataforma precisa vender acesso.
Mesmo um banco precisa convencer depositantes, investidores ou tomadores.
Mesmo uma empresa dominante precisa continuar oferecendo uma razão para que as pessoas permaneçam.
A venda não desapareceu.
Apenas mudou de nível.
Em 2008 eu pensava nela como uma habilidade individual.
Em 2009 comecei a pensar no objeto da venda.
Agora começo a perceber que talvez seja possível transformar a própria capacidade de conectar oferta e demanda num produto.
Isso parece ser intermediação.
E talvez o próximo passo seja descobrir como transformar intermediação em alguma coisa menos dependente da presença individual.
Não sei ainda como.
Talvez não seja necessário saber.
Há um defeito comum em planos de longo prazo: eles dão conforto psicológico ao custo de presumir um mundo que ainda não existe.
Tenho vinte anos.
Qualquer pessoa que me diga exatamente onde estarei daqui a quinze anos está vendendo ficção, mesmo que a pessoa seja eu.
Prefiro direção a roteiro.
A direção que começa a aparecer é bastante simples.
Quero compreender venda.
Quero compreender capital.
Quero compreender o espaço entre as partes de uma transação.
E quero descobrir onde a presença de alguém pode produzir um resultado maior do que o capital que essa pessoa precisou colocar.
Essa última frase talvez seja a mais importante.
Quase toda riqueza grande parece envolver alguma forma de alavancagem.
Não necessariamente dívida.
Alavancagem no sentido de controlar resultado maior que o recurso próprio empregado.
Um empresário utiliza trabalho de outras pessoas.
Uma marca utiliza reputação acumulada.
Uma empresa utiliza sistemas.
Um investidor utiliza capital.
Um distribuidor utiliza rede.
Um intermediário utiliza relações e informação.
Nenhuma dessas coisas é gratuita.
A pergunta é qual tipo de alavancagem combina melhor com aquilo que quero construir.
Ainda não tenho capital suficiente para capital ser minha principal vantagem.
Não possuo fábrica.
Não tenho interesse especial em passar a vida administrando estoque.
Talvez relações, vendas e julgamento sejam ativos mais acessíveis para começar.
Não acessíveis no sentido de fáceis.
Apenas não exigem milhões de reais antes da primeira tentativa.
É possível começar pequeno.
Uma relação.
Uma venda.
Uma negociação.
Uma operação.
Depois outra.
Aprender com aquilo que realmente aconteceu, não com aquilo que deveria ter acontecido segundo algum livro.
Talvez seja uma educação mais demorada.
Mas a realidade possui uma qualidade que os professores raramente conseguem reproduzir: cobra pelos erros.
Quando uma hipótese acadêmica está errada, recebe-se uma nota ruim.
Quando uma hipótese de negócio está errada, perde-se dinheiro.
A dor melhora a memória.
Talvez seja por isso que prefiro aprender algumas coisas em operações reais, desde que o tamanho dos erros seja pequeno o suficiente para sobreviver.
Essa é provavelmente outra regra que vale guardar.
Não evitar erro.
Evitar erro terminal.
Quem precisa acertar sempre para continuar vivo já começou com uma estrutura ruim.
É melhor poder errar dez vezes barato e descobrir alguma coisa do que colocar tudo numa única certeza elegante.
Talvez isso também se aplique às escolhas profissionais.
Não preciso decidir hoje qual será minha atividade definitiva.
Preciso escolher posições que aumentem aquilo que consigo aprender e conservar as opções futuras.
Vendas faz isso.
Intermediação talvez faça ainda mais.
Quem circula entre empresas, clientes, investidores e operações vê pedaços diferentes da economia.
Pode descobrir depois onde possui vantagem real.
É melhor do que decidir cedo demais que pertence a uma indústria específica e passar vinte anos defendendo uma identidade construída antes de conhecer alternativas.
Identidade é outra forma de iliquidez.
Quando alguém investe demais em parecer determinada coisa, começa a recusar oportunidades que ameaçam a narrativa.
Não quero isso.
Quero poder mudar de produto sem precisar reconstruir completamente a capacidade de produzir renda.
Essa talvez seja a razão mais profunda pela qual intermediação está me interessando.
O produto pode mudar.
A posição entre quem tem e quem quer permanece.
Hoje pode ser imóvel.
Amanhã pode ser capital.
Depois outra coisa.
Se a habilidade estiver em entender os dois lados, organizar informação, criar confiança e fazer a transação acontecer, o objeto pode mudar sem destruir tudo aquilo que foi aprendido.
É uma forma de opcionalidade.
Talvez essa palavra seja sofisticada demais para algo bastante simples: quero ter mais caminhos do que obrigações.
Quem possui uma fábrica inteira construída para um produto específico ganha muito se aquele produto continuar sendo desejado.
Mas fica exposto se o mundo mudar.
Quem possui uma rede capaz de distribuir produtos diferentes talvez ganhe menos em cada unidade, mas consiga adaptar-se.
Não sei qual estrutura é melhor em absoluto.
Provavelmente nenhuma.
Cada uma vence em condições diferentes.
O erro seria escolher uma delas sem entender qual risco está sendo aceito.
É aqui que a notícia desta semana volta a ser útil.
O Groupon não precisa estar certo para me ensinar alguma coisa.
Pode recusar os bilhões e depois valer muito mais.
Pode recusar e desaparecer.
Essas são questões para o futuro.
O fato relevante hoje é que alguém está disposto a pagar bilhões por uma máquina que organiza encontros econômicos.
Isso é suficiente para destruir a ideia de que somente quem fabrica alguma coisa física produz valor sério.
Talvez algumas das empresas mais poderosas do futuro sejam justamente as que fabricam menos coisas e organizam mais relações.
Não sei.
Mas quero observar.
E se isso estiver correto, talvez o melhor negócio não seja fabricar o produto.
Talvez seja construir o lugar pelo qual o produto precise passar.
Há uma diferença importante entre possuir mercadoria e possuir mercado.
A mercadoria precisa ser vendida.
O mercado é onde os outros vêm vender.
Não consigo imaginar posição muito mais interessante.
Também não consigo imaginar posição que atraia mais competição se as margens forem boas.
Portanto, não é uma fórmula mágica.
Não existem fórmulas mágicas. Apenas pessoas que ainda não descobriram o risco escondido dentro da fórmula.
Mas existe um mecanismo.
E mecanismos merecem estudo.
Há dois anos eu queria aprender a vender.
No ano passado comecei a perguntar como se vende dinheiro.
Agora acrescento uma terceira pergunta:
e se eu não precisar ser dono daquilo que vendo?
Talvez seja aqui que as duas investigações se encontrem.
Se consigo construir confiança entre quem possui e quem precisa, posso participar de uma operação sem carregar todo o ativo no meu próprio balanço.
Se consigo repetir isso, talvez haja um negócio.
Se consigo transformar a repetição em método, talvez haja uma empresa.
Se um dia for possível transformar esse método num lugar onde muitas outras pessoas consigam fazer o mesmo, então talvez haja algo muito maior.
Mas essa última parte ainda é especulação.
Prefiro não correr na frente daquilo que entendo.
Por enquanto, a descoberta é mais modesta.
Propriedade e controle econômico não são a mesma coisa.
Quem possui o produto tem poder.
Quem possui o cliente também.
Quem possui informação pode ter.
Quem possui confiança pode ter ainda mais.
E quem consegue organizar o encontro entre todas essas coisas talvez consiga participar de valores muito maiores do que aquilo que precisou possuir.
Isso muda minha maneira de pensar sobre enriquecimento.
Talvez a pergunta “o que devo comprar?” venha tarde demais.
Antes dela existe:
“Que posição devo construir?”
É possível possuir muito e ocupar uma posição ruim.
É possível possuir pouco e ocupar uma posição excelente.
O primeiro parece rico até precisar de liquidez.
O segundo parece pequeno até uma transação grande precisar passar por ele.
Quero aprender a reconhecer essa diferença.
Não tenho intenção de romantizar intermediários.
Talvez a maioria seja perfeitamente substituível.
Talvez muitos ganhem dinheiro apenas porque determinada indústria ainda é ineficiente.
Mas isso não diminui a importância do mecanismo.
Apenas torna a seleção mais necessária.
Se eu algum dia escolher trabalhar no meio, precisarei merecer o meio.
Precisarei fazer a operação ficar melhor por minha presença.
Mais rápida.
Mais segura.
Mais provável.
Mais compreensível.
Mais bem estruturada.
Caso contrário, estarei apenas esperando que alguém perceba que pode me remover.
Essa não parece uma boa maneira de construir a vida.
Uma boa posição precisa sobreviver à pergunta:
“Por que precisamos de você?”
Quero algum dia conseguir responder sem mencionar título, cargo ou tradição.
Porque eu consigo fazer isso acontecer melhor do que aconteceria sem mim.
Talvez baste.
O futuro dirá se essa intuição presta.
Por enquanto guardo a pergunta.
Talvez o melhor negócio seja não fabricar nada.
Talvez seja fabricar encontros.
Leo Bentier