O lucro está no subsolo da IA
Enquanto a superfície encanta, a infraestrutura cobra aluguel.
2 de março de 2022
O lucro está no subsolo da IA
Enquanto a superfície encanta, a infraestrutura cobra aluguel.
Em março de 2022, a IA ainda pode ser discutida como promessa, ferramenta, modelo, pesquisa ou laboratório. O mercado começa a sentir que há algo grande, mas ainda tenta encaixar tudo em categorias conhecidas. Aplicativos inteligentes. Software com automação. Chatbots melhores. Imagens geradas. Código assistido. Tudo isso importa. Mas a tese lucrativa talvez esteja em outro lugar: no subsolo.
O subsolo da IA é feito de GPU, servidor, rede, energia, refrigeração, memória, armazenamento, data center, conectividade e software de infraestrutura. É feio, caro, físico e indispensável. Enquanto investidores procuram a aplicação vencedora, fornecedores de infraestrutura recebem pedidos. Enquanto executivos discutem estratégia, engenheiros pedem capacidade. Enquanto usuários se encantam com respostas, racks consomem energia.
Nvidia e AMD são os nomes óbvios. Nvidia porque seu ecossistema de aceleração virou centro da corrida. AMD porque a demanda por alternativa e competição sempre aparece quando um fornecedor fica dominante demais. Mas Vertiv, Arista, Broadcom e Supermicro podem explicar melhor a tese. Eles mostram que IA não é apenas modelo. É uma cadeia de restrições.
Vertiv captura energia e refrigeração. Arista captura rede de data center. Broadcom captura silício e conectividade. Supermicro captura integração rápida de servidores. A cada avanço do modelo, a pilha física precisa responder. O investidor comum se pergunta qual app terá mais usuários. O investidor de infraestrutura pergunta qual fornecedor tem backlog antes que o usuário pague.
Talvez em 2023 o mercado acorde com violência. Talvez uma guidance de empresa líder em GPU revele que a demanda por data center superou modelos mentais antigos. Quando isso acontecer, muitos chamarão de surpresa. Mas a surpresa já estará construída. Grandes modelos exigem treinamento caro. Treinamento caro exige hardware. Hardware exige data center. Data center exige energia. A cadeia estava visível para quem não confundia produto com infraestrutura.
O lucro do leitor está em procurar onde a inevitabilidade encontra capacidade limitada. GPU pode ser limitada. Servidor otimizado pode ser limitado. Rede pode ser limitada. Energia local pode ser limitada. Refrigeração para alta densidade pode ser limitada. Construção de data center pode ser limitada. Empresas que resolvem limites capturam margem enquanto a euforia discute slogans.
A contratese é que subsolo também vira bolha. Quando todos descobrem infraestrutura, qualquer empresa que encoste em rack passa a receber prêmio. Supermicro pode ser ótima na fase de pressa e problemática na fase de auditoria. Vertiv pode crescer e ainda assim sofrer se capex pausar. Arista pode ser excelente e cara. Broadcom pode ser necessária, mas não pura. AMD pode capturar narrativa sem capturar margem suficiente. Nvidia pode ser o melhor ativo operacional e uma ação perigosa dependendo do preço.
Mas evitar a tese por medo de bolha também é preguiça. O correto é separar necessidade de valuation. A necessidade por infraestrutura pode ser real, mesmo que o preço de algumas ações fique insano. O investidor maduro não transforma uma boa tese em licença para pagar qualquer múltiplo. Também não transforma múltiplo alto em prova de que a tese é falsa.
A IA será vendida como software porque software é fácil de explicar. Mas, no início da corrida, o dinheiro irá para capital físico. Isso aconteceu antes. Ferrovias antes de redes nacionais. Torres antes de telefonia móvel ampla. Fibra antes de streaming confiável. Data centers antes de nuvem elástica. Agora, infraestrutura acelerada antes de IA onipresente.
O mercado gosta do que aparece. O caixa gosta do que falta.
E o que falta, por enquanto, está no subsolo.
Leo Bentier