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A disputa será colocar IA dentro da operação

A inteligência que não entra no fluxo de trabalho é ornamento caro.

3 de abril de 2023

A inteligência que não entra no fluxo de trabalho é ornamento caro.

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Xin

A disputa será colocar IA dentro da operação

A inteligência que não entra no fluxo de trabalho é ornamento caro.

Depois do choque inicial da IA generativa, toda empresa tentará parecer moderna. Haverá apresentações, comitês, pilotos, comunicados, parcerias, laboratórios internos, posts de executivos e frases vazias sobre transformação. Isso é inevitável. A primeira reação corporativa a uma tecnologia poderosa é estética. A empresa quer parecer desperta antes de mudar de verdade.

Mas a próxima disputa não será quem "tem IA". Essa frase ficará barata. A disputa será quem consegue colocar IA dentro da operação sem quebrar governança, margem, compliance, segurança e responsabilidade. Palantir aparece como nome óbvio porque fala justamente essa língua: dados, operações, decisão, permissão, modelo, workflow. Mas ServiceNow, MongoDB, Snowflake e Datadog podem capturar partes relevantes da mesma mudança.

ServiceNow vive nos fluxos de trabalho. Se IA precisa acionar processos, abrir tickets, priorizar tarefas, automatizar atendimento interno, reduzir trabalho administrativo e conectar departamentos, plataformas de workflow ganham importância. O modelo sozinho conversa. O workflow faz. A empresa paga mais pelo fazer do que pelo conversar.

MongoDB representa a camada de aplicação e dados flexíveis. À medida que empresas constroem aplicações com IA, precisam de bancos, armazenamento, busca, estrutura e flexibilidade para lidar com dados que não cabem bem em sistemas antigos. Snowflake representa dados corporativos, governança, compartilhamento, analytics e tentativa de ser camada onde a empresa organiza informação para uso mais inteligente. Datadog representa observabilidade. Sistemas com IA quebram, custam, degradam, erram e precisam ser monitorados. O que não é observado vira risco.

Palantir pode capturar a narrativa mais forte porque vende a ideia de conectar IA a decisões reais. Mas o mercado corporativo não será vencido por uma empresa apenas. Cada camada tentará dizer: "a IA precisa de mim para ser útil". E muitas estarão parcialmente certas.

Talvez em 2024 o mercado comece a separar empresas que apenas dizem IA de empresas que têm direito estrutural de capturar orçamento de IA. Esse direito vem de estar perto do dado, do processo, do desenvolvedor, da infraestrutura ou da decisão. A empresa que apenas adiciona IA como feature cosmética pode receber atenção temporária. A empresa que incorpora IA em um fluxo crítico pode receber expansão real.

O lucro do leitor estará em perguntar: onde a IA vira rotina? Não demo. Rotina. O que entra na rotina entra no orçamento recorrente. O que fica na demo entra na memória do evento anual e depois morre.

Palantir precisa provar que AIP não é apenas teatro para investidores. Precisa mostrar implantação, uso, expansão, clientes comerciais, impacto operacional. ServiceNow precisa transformar automação em aumento de valor por cliente. MongoDB precisa mostrar que desenvolvedores escolhem sua infraestrutura para aplicações modernas. Snowflake precisa defender sua posição contra hyperscalers e formatos abertos. Datadog precisa continuar sendo camada indispensável de visibilidade em ambientes mais complexos.

A contratese é que IA corporativa pode virar recurso embutido, não produto separado. Margens podem ser pressionadas por custos de modelo. Clientes podem resistir a pagar adicional. Dados corporativos podem estar ruins demais. Integração pode ser lenta. Segurança pode travar uso. Reguladores podem exigir controles. Palantir pode ser controversa. Snowflake pode enfrentar concorrência intensa. MongoDB pode ser caro. Datadog pode sofrer com otimização de gastos. ServiceNow pode ter múltiplo exigente.

Mas a tese permanece: o valor corporativo de IA será medido por mudança operacional, não por encantamento. Uma empresa não melhora porque um funcionário consegue pedir um resumo bonito. Melhora quando ciclo de venda encurta, fraude cai, suporte resolve mais rápido, estoque melhora, cobrança prioriza melhor, manutenção antecipa falha, jurídico triagem documentos, engenharia reduz incidentes e gestão decide com menos atraso.

IA de verdade desaparece dentro do processo.

Quando ela vira rotina, o mercado chama de produtividade.

Leo Bentier

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