A corrida bancária ao Northern Rock não foi irracional. Foi a única resposta racional disponível.
O comportamento dos depositantes foi completamente lógico. O que foi irracional foi o modelo de negócio do banco.
18 de setembro de 2007
A corrida bancária ao Northern Rock não foi irracional. Foi a única resposta racional disponível.
O comportamento dos depositantes foi completamente lógico. O que foi irracional foi o modelo de negócio do banco.
Correntistas fazendo fila na frente de agências do Northern Rock para sacar seus depósitos — a primeira corrida bancária visível no Reino Unido desde 1866. O Banco da Inglaterra foi forçado a anunciar suporte de liquidez de emergência. A imagem das filas está circulando como anomalia — como se o comportamento dos depositantes fosse irracional dado o que sabemos sobre garantias de depósitos. Mas a interpretação está invertida. O comportamento dos depositantes foi completamente racional. O que foi irracional foi o modelo de negócio do banco.
O Northern Rock financiava hipotecas de longo prazo com captação de curto prazo no mercado interbancário e em securitizações — não com depósitos de longo prazo. Quando o mercado de securitizações travou em agosto, o banco perdeu a principal fonte de funding. O Banco da Inglaterra ofereceu suporte, mas a notícia do suporte — que deveria ser tranquilizadora — foi interpretada pelos depositantes como confirmação de que o banco tinha problemas que eles não conheciam. A corrida bancária foi racional porque os depositantes estavam respondendo corretamente à informação disponível: um banco que precisou de suporte de emergência do banco central em condições de mercado que afetam principalmente quem captou de forma arriscada é um banco cujo modelo de negócio falhou.
O que o Northern Rock demonstra é que sistemas que dependem de confiança contínua e não contingente são frágeis por design. O banco funcionava enquanto todo mundo continuava acreditando que os mercados de curto prazo permaneceriam abertos. Quando a crença mudou — não o mercado em si, mas a crença sobre o mercado — o modelo parou de funcionar. Essa não é uma lição sobre regulação bancária específica. É uma lição sobre qualquer sistema que precisa de crença coletiva ininterrupta para operar: ele é robusto até o momento em que deixa de ser, e esse momento não é gradual.
Leo Bentier