Ensaios sobre capital, risco, mercado, preço e comportamento de investidores.
É oficial.O sistema financeiro nunca construiu a sua mesa. Não por maldade — por incentivo.
O país que paga para não produzirO Brasil não tem um problema de escassez de capital. Tem um problema de destino: para cada dois reais colocados em construir, um real remunera quem não produz.
O banco vai virar infraestruturaUma carta sobre a separação silenciosa entre o balanço e a confiança — e sobre quem herdará o cliente quando o banco se tornar apenas o lugar onde o dinheiro dorme.
A pobreza administrada e a mamata de ternoO Brasil distribui dependência para baixo e privilégio para cima. A mesma régua tem de medir o cartão do pobre e o parecer jurídico do poderoso.
O Estado quer a base, o banco quer a margem, o empresário paga os doisDepois de quase vinte anos, a tese final não é que bancos são maus ou que crédito deve ser barato; é que preço é consequência de onde o medo mora — e o trabalho de quem desenha é voltar uma etapa e reorganizar o risco.
A dívida de prateleira esconde; a dívida desenhada respondeR$ 20 bilhões foram o alarme; R$ 18,4 bilhões de risco sacado foram a anatomia — e o Marco Legal das Garantias chegou no mesmo ano: o Brasil entregou a doença e parte do tratamento em doze meses.
A recessão vai acabar antes da desconfiançaUma leitura fria sobre os primeiros sinais de estabilização econômica: Recuperação estatística não significaria recuperação psicológica.
2008 não foi crise de crédito; foi crise de desenhoQuando a confiança morre, não sobrevive a marca, o rating ou a reputação do banqueiro; sobrevive o que pode ser identificado, controlado e liquidado — o resto era refinanciamento vestido de riqueza.
Bear Stearns não é exceção. É sintomaUma leitura fria sobre o resgate do Bear Stearns em março de 2008: A confiança estava quebrando antes dos balanços.
2007 foi o aviso. 2008 vai ser a conta.O que aconteceu este ano não foi uma crise. Foi um diagnóstico. A crise é o que vem quando o sistema precisa ajustar o preço de ativos avaliados errado por tempo suficiente para que a ilusão virasse pressuposto.