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Fazer o que não escala não é hack de startup. É princípio de liderança.

Uma leitura operacional do ensaio de Paul Graham: o gestor que só faz o que escala nunca entende o que comanda. E acaba gerenciando uma versão simplificada da realidade.

1 de setembro de 2013

Fazer o que não escala não é hack de startup. É princípio de liderança.

Uma leitura operacional do ensaio de Paul Graham: o gestor que só faz o que escala nunca entende o que comanda. E acaba gerenciando uma versão simplificada da realidade.

Paul Graham escreveu sobre por que founders deveriam fazer coisas que não escalam no início — recrutar usuários manualmente, dar suporte pessoalmente, tratar cada cliente como se fosse o único. O argumento original é sobre startups. Mas o princípio tem uma versão gerencial que raramente é discutida: o gestor que delega tudo que não escala desde o início nunca desenvolve o entendimento que torna a delegação válida. Você não pode delegar bem o que não compreende em detalhe. E você não compreende em detalhe o que nunca fez de perto o suficiente para sentir onde dói.

Em empresas maiores, essa dinâmica aparece no distanciamento entre quem decide e quem executa. O gestor que processa a realidade apenas por relatórios desenvolve um modelo mental filtrado — ele vê o que os relatórios conseguem capturar, que é sempre uma versão empobrecida do que está acontecendo de fato. O contato direto com o trabalho real — com o cliente insatisfeito, com o processo que quebra no ponto errado, com a regra que ninguém consegue explicar por que ainda existe — é o que calibra o julgamento. Sem isso, você gerencia uma abstração. A abstração parece estável. A realidade embaixo dela nem sempre é.

Isso não significa que gestores devem fazer o trabalho operacional indefinidamente. Significa que a capacidade de fazer é o que torna legítima a autoridade de não fazer. Há uma diferença entre o gestor que delegou porque entende o suficiente para confiar no critério de quem executa, e o gestor que delegou porque nunca quis entender. O primeiro cria sistemas. O segundo cria dependência de pessoas específicas e distância entre intenção e resultado. Fazer o que não escala é o preço de entrada para gerir com credibilidade o que eventualmente vai escalar.

Leo Bentier

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