O pico que ninguém reconhece como pico.
O Dow Jones bateu 14.164 pontos esta semana. O consenso está otimista. O mercado de crédito está dizendo o oposto.
12 de outubro de 2007
O pico que ninguém reconhece como pico.
O Dow Jones bateu 14.164 pontos esta semana. O consenso está otimista. O mercado de crédito está dizendo o oposto.
O Dow Jones fechou esta semana em 14.164 pontos — um novo recorde histórico. A narrativa é de força: a economia americana ainda cresce, os resultados corporativos do terceiro trimestre estão acima das expectativas, e os problemas no mercado de crédito parecem, por ora, contidos ao setor de hipotecas subprime. O Federal Reserve cortou as taxas de juros em setembro, o que reduziu a pressão imediata no mercado interbancário. Tudo parece sob controle. O que me preocupa não é o que o mercado sabe. É o que o mercado está escolhendo não perguntar.
O mercado de ações é um mecanismo de agregação de expectativas. Quando está em alta, está dizendo que a média ponderada de todas as pessoas com capital alocado acredita que os ativos valem o que estão sendo negociados. Mas expectativas não são análise. São o resultado de um processo social onde as pessoas chegam a consenso sobre o futuro usando informações que já estão no passado. O problema com o pico atual é que ele está sendo atingido enquanto os mecanismos de crédito que financiaram o crescimento econômico dos últimos cinco anos estão sob estresse visível. O mercado de ações está dizendo que o problema não é grave. O mercado de crédito está dizendo o oposto.
Picos históricos não são visíveis como picos no momento em que acontecem. Eles só ficam visíveis depois, quando o que veio a seguir revelou que o consenso estava errado. Não sei se o mercado vai cair amanhã. Mas sei que o nível atual de otimismo coexiste com Bear Stearns, BNP, Northern Rock e crédito interbancário funcionando com spreads anormais — e que o mercado de ações ainda não processou nenhum disso de forma proporcional. Quando processar, vai ser de uma vez.
Leo Bentier