O banco moderno é uma empresa de confiança com tecnologia ruim
Uma leitura fria sobre a opacidade dos bancos antes do colapso: Complexidade sem governança é fragilidade disfarçada de sofisticação.
20 de agosto de 2008
O banco moderno é uma empresa de confiança com tecnologia ruim
Uma leitura fria sobre a opacidade dos bancos antes do colapso: Complexidade sem governança é fragilidade disfarçada de sofisticação.
O erro confortável seria chamar a opacidade dos bancos antes do colapso de exceção. Exceção é uma palavra usada por quem não quer revisar o modelo mental. Em 2008-08, o sinal mais importante não estava no espetáculo público, mas no mecanismo escondido: incentivos ruins, excesso de confiança, dependência de terceiros e baixa capacidade de correção. O gestor mediano procura culpados depois do impacto; o operador sério pergunta quais regras permitiram que o impacto ficasse invisível por tanto tempo.
A tese que importava era brutal: complexidade sem governança é fragilidade disfarçada de sofisticação Isso muda a conversa inteira. Se a empresa depende de sorte macroeconômica, de capital barato, de fornecedor disciplinado, de cliente paciente ou de funcionário heroico, ela não tem operação robusta. Tem uma ficção temporariamente financiada. A maior parte do management falha porque tenta parecer sofisticada antes de ser verdadeira, e a verdade quase sempre começa por uma pergunta desagradável sobre fragilidade, não por uma apresentação bonita.
Eu teria escrito isso como aviso, não como previsão mística. Previsão é vaidade quando não produz uma regra de ação. O que interessa é decidir antes que a multidão descubra o vocabulário. Em cada ciclo, os mesmos tipos de pessoas, nas mesmas circunstâncias, produzem os mesmos resultados porque seus sistemas internos não mudam. A oportunidade estava em construir uma disciplina: observar o sinal, reduzir a ambiguidade, escolher a ação, medir o desvio e corrigir sem romance.
Leo Bentier